ENQUANTO NADA ESTIVER PROVADO DEFINITIVAMENTE, EXISTIRÁ A ESPERANÇA DE QUE HÁ MUNDOS MELHORES DO QUE ESTE ...

sábado, 29 de setembro de 2007

Se queres conhecer a situação económica do país, vai a um talho

É por todos sabido que a situação económica das famílias portuguesas não anda nos seus melhores dias. Para além de ser um dos países onde mais se consome anti-depressivos (apesar de, paradoxalmente, também ser dos países europeus com maior número de horas de exposição solar, o que é um contra-senso), Portugal continua com a sua secular crise económica que tem forçado muitas famílias a ver na emigração a solução "mágica" para os seus problemas, não havendo maneira de que esse ciclo vicioso de "má gestão - crise económica - emigração forçada", que perdura há séculos, alguma vez se quebre definitivamente. Hoje, no talho, pude observar como as pessoas andam tristes, nervosas e estressadas. Senti que o talho funcionava como uma espécie de consultório barato de psicologia (a psicologia dos pobres), onde as gentes desabafavam as suas amarguras enquanto esperavam ser atendidas pelo comerciante. Fiquei com sincera pena das pessoas e das histórias que contavam (uma pôs-se a chorar ao balcão) e lembrei-me que eu própria passava por situação idêntica, embora talvez conseguisse superar melhor os meus problemas (ao menos não chorava ao balcão). A certa altura, entretanto, houve ali um momento em que senti alguma solidariedade entre as pessoas que lá estavam presentes. A mulher que chorava começou a gritar "Não há compreensão. Descontam tudo na gente. Fo**-se para este mundo". Eu calei-me, pensativa. Outra mulher dizia-lhe "Deixa estar isso. Acalme-se. Não vale a pena ficar nervosa". O certo é que todos ficaram consternados, e enquanto observavam a mulher ir embora, meditavam nos seus próprios problemas pessoais, que, comparativamente, também não eram nada pequenos em relação aos da mulher que se ia embora.

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